domingo, 16 de agosto de 2009

Mídia e Educação por Igor Sebastian

A Mídia de mãos dadas com a Nova Escola: Consumo, Padrões e Estereótipos.

Inicio a temática abordando um pouco do cenário do consumo em relação a mídia, assim relaciono após, os fatores de “alienação” e como o jeitinho brasileiro e alguns preconceitos que também são abordados na mídia. Atualmente a população brasileira está inserida num mecanismo do capital “selvagem”, refletido diretamente na “arte” de consumir, pois hoje o consumismo virou uma arte avassaladora, que gera prazeres e ao mesmo tempo destrói prazeres, que realiza o ego e que afoga o ser humano num mar de inverdades. Nossa sociedade ocidental vive cada vez mais em função não mais de saciar o necessário e sim ultrapassar a barreira deste, o superfulo quase não existe mais, pois tudo tornou se necessário, pautados em propagandas e num circulo midiatico, achamos sempre uma explicação de necessidade para algo superfulo. Cada vez mais vemos nossas mentes serem invadidas por propagandas sedutoras, por programas vendendo seus produtos, por filmes, novelas e seriados que jogam a todo o momento mensagens de consumismo desenfreado e colocando o individuo que não consome a margem da sociedade, tornando se quase um não cidadão. Maria Rita Kehl vai além e aborda essa problematização em nossas crianças, pois cada vez mais o foco das propagandas são voltadas para o publico infantil e transformando essa criança em consumidor direto. Essas problematizações vão se tornando cada vez mais pertinentes aos olhos de psicólogos, pedagogos e educadores em geral, pois o ter está cada vez mais alcançando o lugar do ser.

Essa situação a qual estamos inseridos e cometidos dia após dia parece cada vez mais não ter solução, estamos sendo moldados por parâmetros cada vez mais nocivos, o famoso “Jeitinho brasileiro” falado por Da Matta, os preconceitos com o homossexual, precoceito de cor, estão cada vez mais de uma maneira nociva ou benéfica aparecendo diariamente na mídia, seja ela televisiva ou não. É verdade que nem tudo é prejudicial na mídia, muita coisa é de grande importância e trazem reflexões, bons filmes, programas, documentários e outros, mas é verdade também que vemos em muitas inserções televisivas parâmetros que vão sendo colocados como, padrões a serem seguidos, estereótipos a serem vividos e muitos de nós seguimos e vivemos esses padrões, que são aceitos e internalizados sem nenhuma rejeição ou duvida, crítica, assimilamos e passamos para frente, como muito bem colocado no texto sobre a mídia de Shirley Torquato, onde vemos 2 seriados que influenciam diretamente modos de pensar e afirmam parâmetros de sociedade. O famoso “Jeitinho Brasileiro” é caricaturado quase que diariamente por algum programa ou alguma reportagem, vamos reproduzindo e criando um padrão televisivo de verdades. E como nós educadores podemos ajudar nesses parâmetros? Como criar cidadãos pensativos, criadores e críticos, se a mídia tem o poder muito maior do que a escola, alcança muito mais os lares, e é prazerosa. Na minha opinião chegou a hora de repensarmos valores e fazer um verdadeiro debate sobre o que é a escola, para que serve a sala de aula? Tornar a escola prazerosa e trazer também a mídia para dentro dela, trazer, analisar e criticar os estereótipos, os padrões e recomeçar. Assim os futuros programadores dessa tão falada mídia, serem seres humanos mais humanos, não só na mídia, mas em todos os setores corrompidos pelo medo e pela falta de sentimento. É fato que o preconceito existe, que o “Jeitinho Brasileiro” não é só o malandro, mas é sim um jeito criado pelo povo para viver sua própria realidade, pois no Brasil, fomos enlatados de leis e que só agora estamos entendendo que nosso país está sendo construído, que nossa real célula está em construção e depende de nossos atos para tornar daqui um país mais justo e fraterno. E só numa nova Educação, numa nova Escola, podemos vislumbrar um novo sonho e encerro minha dissertação sobre um assunto tão complexo, indo ao micro que é a Sala de Aula, indo na pratica e tentando mostrar o que acho valido para criarmos uma mídia que sonhamos, que respeite e que não queira pensar por nós. A sala de aula é uma das coisas mais importantes na construção de uma sociedade igualitária, justa e fraterna, nela é onde começa todas as formas de expressão, onde as diferenças sobressaem, o tempo torna se inimigo ou aliado, surgem as angústias, os medos, uma verdadeira viajem em mundos que podem fascinar e ou desmotivar. É nesse espaço que se cria o cidadão, que se reprime, que se consola, que conduz e que afoga.

Na Sala de aula, na aula da sala é que surgem os futuros governantes, os futuros trabalhadores, os gênios, os mártires, os Reis, os heróis, surgem métodos de ver a vida por um olhar diferente com certa dose de emoção, de diversão, de compaixão. E ali no espelho do momento nascem sentimentos raros e leais, amizades eternas, contrapondo se com outros que querem ser mais que o outro, outros que são muito, mesmo não querendo ser.

A força Bruta que aparece e tenta modificar, a ausência do amor, mas a ausência se faz eficaz e a ausência da ausência edifica e consolida as estruturas bases de um novo cidadão. A escola tem futuro?

O Futuro da escola é cada vez mais construir o respeito das diferenças, diferenças que existem entre todos no universo escolar ou não. Professor, aluno, cidadão. A chave para o inicio da redenção de uma nova escola é o amor, o amor que ensina, que traduz, que compreende e assim aumentando e encurtando a real diferença: O Ser humano x O ser humano. Precisamos pensar muito ainda, o caminho é longo e a resposta de uma nova escola, uma nova sociedade de reconstrução, de um novo pensar antineoliberal, ainda não sabemos o final e como chegar a desconstruir esses padrões atuais, mas temos que iniciar e começar a escrever a cada dia uma pagina nova, o final não sabemos como será mas será, e agora cabe a nós o amanhã de outras gerações, o amanha de nossos próprios filhos depende de nós. E o que o filhos, dos filhos dos nossos filhos verão está sendo iniciado agora. E uma música de um grande movimento que na década de 70 e 80 mudou e transformou a historia da musica nacional, o movimento mineiro Clube da Esquina (Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Flavio Venturini, 14 Bis, entre outros) deixaram em uma pequena frase, uma idéia muito bacana que serve diretamente aos nossos sonhadores, que é “porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos e SONHOS NÃO ENVELHECEM...” e viva um futuro decente a nossa educação.

Bibliografia:

DA MATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil? Rio de Janeiro, Rocco, (1999a)

Participem, comentem e conheçam um pouco mais de Igor Sebastiam e seu trabalho inclusive na música com o grupo Nave de prata, deixo abaixo um vídeo de uma música que gosto muito e o site para que conheçam o trabalho, tenho certeza que vão adorar ;)

Vídeo: Show do Nave de Prata. Música nossa voz

http://www.youtube.com/watch?v=iU1YmGXmZC0

http://www.navedeprata.com/

Um comentário:

  1. Igooor, muito obrigada pela colaboração, adorei seu texto e creio que não da pra nos colocarmos de fora dessa sociedade sendo que vivemos e trabalhamos nela. O que se pode fazer é uma mediação dentro da sala de aula sobre o que tem aparecido para os nossos alunos. Acho uma ideia legal levarmos as crianças a criarem um programa de tv - Saberem como são feitos comerciais e tudo mais - Edição principalmente pra que elas comecem a enxergar que nem tudo é realmente o que parece e que ha interesses por tras das modificações que acontecem em uma ilha de edição por ex. Beijo Igor, brigadão ;)

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